A Terra é um planeta que gira torno de si mesmo há cada 24 horas e que nesse seu movimento de rotação viaja também ao redor do sol fazendo uma volta completa a cada 365 dias. Vivemos em sua superfície e para a nossa sobrevivência somos forçados a consumir elementos da própria terra. Resolvemos ainda, a fim de aumentarmos nosso conforto nessa viagem, acelerarmos o processo de consumo da própria Terra, retirando de suas entranhas minérios, petróleo e outros insumos necessários a essa necessidade. A coisa funciona como se fossemos galhos de uma árvore que se alimentam de frutos dessa mesma árvore. Ou seja, praticamos autofagia (comemos a nós mesmos), para a nossa sobrevivência. Estamos consumindo o nosso veículo de viagem e assim, estamos decretando o fim da Terra e de nós como consequência.
É o mesmo caso que acontece com o câncer. Todos nós sabemos que no nosso organismo as células funcionam em função do bem estar e da sobrevivência e sucesso do mesmo. Todas estão voltadas para a sobrevivência do todo e trabalham em conjunto para esse fim. Uma célula cancerosa não está compromissada com o todo. Quer crescer independentemente dos objetivos do conjunto e crescem desordenadamente. Só que elas não sabem é que com esse seu comportamento elas conseguem matar o organismo e agindo assim elas morrem com ele.
Considerando que a Terra seja um macro organismo, o homem seria o câncer da Terra. Descompromissado com o futuro da mesma, ele consome e destroi sem responsabilidade a sua própria casa, seu veículo de viagem e tende a ser destruído como ele. É preciso que tenhamos consciência do nosso papel a fim de que tenhamos posturas diferentes das que atualmente encaramos. Sem essa nova consciência nos aproximamos rapidamente do fim. E ninguém na configuração atual ficará para contar a história.
Estamos no mesmo barco e se ele afundar todos afundam com ele. Não somos invidualmente donos de nada, nem do “nosso” corpo. Esse fato pode ser visto com a pequena história que narro a seguir.
Diz a história que um turista (poderia ser americano), visitando a cidade do Cairo no Egito, encontrou-se com um famoso rabino. Ficou impressionado ao constatar que o rabino morava num quarto bem simples, sem móveis. As únicas peças encontradas eram uma pequena mesa, uma cadeira e uma espécie de tapete que ele utilizava para dormir. O viajante ficou bastante impressionado com tamanha simplicidade não condizente com tanta sabedoria, pelo menos para os padrões ocidentais
-Onde estão seus móveis? – perguntou o turista intrigado com tanta simplicidade.
-Onde estão os seus? – respondeu o mestre perguntando de imediato ao rabino.
-Os meus? – mas eu estou aqui só de passagem – respondeu o turista.
-Eu também – disse o rabino.
Quisera que nós tivêssemos a visão de mundo daquele rabino mostrado na história acima. Talvez quando tenhamos esse endendimento de mundo e compreender que não somos donos de nada, podêssemos agir de outra forma, mais conscientes do nosso papel no universo. Talvez houvesse menos desigualdades sociais, a fome não atingiria tantas pessoas como atinge hoje e os homens não necessitariam de tantas riquezes individuais para viver o seu dia a dia, e principalmente, não atuariam como se fossem células cancerosas que agindo individualmente e desordenadamente, concorrem para destruir com grande voracidade o organismo em que vivem e que dele é parte integrante.
Viver com esse olhar e agir com essa pespectiva talvez fosse a solução para atenuar num primeiro momento e corrigir definitivamente a atual maneira de sobrevivência que o homem encontrou. A insegurança que nos leva a ter para garantir segurança no futuro, se transformaria em certeza de que todos estariam com seu selo de garantia assegurado.
Diferente que que muitos pensam e agem, até eu mesmo, a verdade é que “não somos donos de nada.”
E a viagem prossegue independentemente do papel de cada um. O destino da viagem, esse sim, será o resultado da combinação da atuação de cada um de nós. É bom que nossa participação individual concorra para que atinjamos um porto seguro.
Não sejamos pois cêlulas cancerosas que matam o organismo em que vivem e que dele faz parte, e como consequência morrem com ele!