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Evoluir ou morrer
por João Bosco Maciel
Compreendemos, olhamos, sentimos e observamos o mundo basicamente através da pequeníssima janela dos cinco sentidos (tato, olfato, audição, visão e paladar), colocada à nossa disposição. Por serem esses sentidos limitados, forçosamente a nossa compreensão desse mesmo mundo também será limitada. Certas correntes filosóficas espirituais acreditam que o que vemos como realidade do mundo seja uma ilusão e que ao mundo real nós não temos acesso sem desenvolver determinadas características espirituais. A sabedoria popular nos mostra isso de maneira prática, conforme o apresentado no exemplo a seguir: quando uma pessoa está no estágio de doença a quem chamamos de doente terminal, costumamos afirmar que aquela pessoa está “desenganada”, ou seja, ela não está mais enganada. Isso significa que todos nós, que não estamos ainda doentes, estamos enganados. Ou em outras palavras, nós estamos enganados em relação a realidade e que existe outra mais real – a verdadeira realidade, a qual não temos acesso normalmente.
Em função dessa característica mostrada acima, e limitados através do véu limitador que nos é imposto, há duas premissas básicas embutidas nas filosofias das grandes tradições espirituais (religiosas) da humanidade, que mesmo sendo representadas de formas diferentes, concordam nestes pontos. Embora as palavras utilizadas para explicar essas idéias sejam diferentes, a forma metafórica final remetem a uma verdade fundamental dupla.
A primeira mensagem fundamental dessa verdade é que o estado mental normal de quase todos os seres humanos, que nós chamamos de normal e real, não é tão claro como pensamos, pois ele contém forte indício de distúrbio, de disfunção e até mesmo de loucura.
A essa visão distorcida da realidade o hinduismo chama a nossa mente de maya, que quer dizer “o véu da ilusão”; no budismo o sentido dado a essas mesmas características chama-se “dukkha” que significa sofrimento e no cristianismo atribui-se ao estado coletivo normal da humanidade o termo de “pecado original”, onde pecar significa “errar o sentido.”
As conquistas da humanidade têm sido maravilhosas, admiráveis e inegáveis, conforme pode-se constatar nas criações de obras de música, literatura, pintura, arquitetura e escultura, sem falar no alto grau de tecnologia que desenvolveram significativamente a ciência como um todo, que transformaram a maneira de viver da humanidade.
Como afirma Eckhart Tolle em seu livro O Despertar de Uma Nova Consciência: “Não há dúvida: a mente humana possui um altíssimo grau de inteligência. Ainda assim, essa inteligência é tingida pela loucura. A ciência e a tecnologia aumentaram o impacto destrutivo que o distúrbio da mente humana tem sobre o planeta, sobre as outras formas de vida e sobre as próprias pessoas. Por isso é na história do século XX que essa disfunção, ou essa insanidade coletiva, pode ser reconhecida com mais nitidez. Um fator adicional é que a perturbação está de fato se intensificando e se acelerando... ….Os seres humanos sofrem mais nas mãos uns dos outros do que em decorrência de desastres naturais... ...A inteligência a serviço da loucura.”
Tudo isso acontece porque ao ignoramos a nossa interdependência do conjunto como um todo, persistimos num comportamento individualista, que poderá resultar na nossa própria destruição. Mas, em contrapartida, as tradições religiosas, cada uma com sua linguagem própria, nos trás também uma boa notícia, que é a de mudança de rumo através da “possibilidade de uma transformação radical de nossa consciência.”
As pessoas raras (Jesus Cristo, Buda, Lao Tse e outros), que não viam o mundo através daquele véu da ilusão, representado através do pecado original, do sofrimento e da ilusão, encontraram o caminho para despertar do que se poderia chamar de pesadelo. Foram homens especiais que vislumbraram nessa vida vida terrena a possibilidade de solução para todos aqueles enganos de visão.
E surgiu então a segunda mensagem, essa positiva, para a solução dessa visão distorcida da realidade. Através do hinduismo a ferramenta utilizada para essa mudança é chamada de iluminação; nos ensinamentos do cristianismo é intitulada de salvação e no budismo de fim do sofrimento.
Como afirma Eckhart Tolle, “reconhecer a própria loucura marca, obviamente, o surgimento da sanidade, o início da cura e da transcendência. Uma nova dimensão da consciência começava então a emergir no planeta, a primeira tentativa de florescimento,” muito bem vislumbrada pelas tradições religiosas conforme o mostrado acima.
Segundo essa visão de mundo, grande parte da população do planeta compreenderá em breve esse caminho, pois ele já está acontecendo, onde a humanidade ficará diante de uma escolha radical de rompimento com os antigos padrões mentais e a aceitação de uma nova dimensão da consciência, que levará a cada indivíduo a optar por uma das seguintes situações: Evoluir ou Morrer.
João Bosco Maciel
E mail: jbosco@infonet.com.br
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