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Como vai seu Coração?
por Tâmara Xavier
Desde que nascemos, somos envolvidos por várias situações que estimulam sensações e sentimentos tanto positivos quanto negativos em nosso organismo, afetando particularmente nosso coração, tendo em vista que, milenarmente, este é o símbolo das emoções, como se nossos sentimentos passassem por ele deixando suas marcas benéficas e maléficas. Devido a complexos mecanismos de adaptação (físicos e psíquicos), tendemos a compensar as condições desfavoráveis, todavia nem sempre tal compensação ocorre com sucesso. A combinação de fatores de risco é um fato cada vez mais confirmado como complementar no aparecimento ou na manutenção das indisposições cardíacas e nem sempre isso é simples de ser quantificado, pois os métodos de investigação são imprecisos, principalmente quando falamos em fatores psicossociais e culturais.
De acordo com pesquisas científicas na área, sentimentos como raiva, alegria, amor, ódio, tristeza, dentre outros podem contribuir para modificações orgânicas proporcionando tanto o vigor quanto o falecimento desse órgão vital, sendo a ansiedade e a depressão os maiores responsáveis pelos males cardiovasculares. Continuando com as pesquisas da cardiologia, podemos ver quão potente é a depressão, que triplica o risco de morte após um infarto, ou em caso de sobrevivência, seus efeitos negativos permanecem mesmo após cinco anos, fazendo com que o paciente tenha maior propensão de sofrer um novo infarto.
Então fazemos os seguintes questionamentos: como você cuida do seu coração? A que riscos você o expõe? A partir do momento que se confirma a potencialidade dos efeitos das emoções sobre ele, a nossa responsabilidade redobra em seus cuidados. Não estamos mais entregues ao acaso do colesterol, das frituras, do sedentarismo e das medicações, estamos expostos também as nossas manias comportamentais e emocionais, a nossa capacidade de perdoar, de lidar com ansiedades, frustrações, com situações complexas como perdas afetivas, luto, fracassos profissionais, angústias, dentre outras situações que envolvem a necessidade de equilíbrio emocional.
As pessoas que vivem em solidão também sofrem mais com a possibilidade do adoecimento, visto que elas dobram o risco de desenvolverem um problema coronariano, tal como infarto do miocárdio, dor torácica cardíaca ou até mesmo morte súbita de origem cardíaca. Dessa forma, para a equipe médica, investigar qual é o tipo de vida de seus pacientes, da mesma maneira que verificam a idade e os fatores de risco de cada um, ajudará no sucesso do prognóstico.
Enfim, levando em conta a concepção psicossomática das doenças, passamos a compreender o adoecimento como um processo que tem em sua procedência a presença de fatores emocionais. Dessa forma, com o desenvolvimento da compreensão psicossomática e a importância do indivíduo como sendo resultante dos fatores biopsicossociais o psicólogo se assegura como mais um profissional envolvido na procura da compreensão das enfermidades, possibilitando um tratamento mais humanizado, favorecendo o trabalho de melhora, controle e prevenção, abrangendo as possibilidades e a qualidade nos atendimentos ofertados aos pacientes.
Tâmara Xavier (CRP 03/4069) é Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta, Especialista em Psicologia Conjugal e Familiar.
e-mail: tamaraxavier@oi.com.br
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