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Copenhague ou o fracasso

por Gordon Brown

Em apenas algumas semanas a comunidade internacional se reunirá em Copenhague, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas, para compor um novo acordo internacional sobre mudanças climáticas. É um momento histórico: o teste derradeiro de cooperação global. Ainda assim, a lentidão das negociações coloca em grave risco um acordo.

Se perdermos esta oportunidade, não haverá segunda chance em algum momento futuro, nenhuma maneira de desfazer mais tarde os danos catastróficos que causaremos ao meio ambiente. Enquanto cientistas enunciam evidências crescentes de que mudanças climáticas já estão acontecendo e da ameaça que representam ao nosso futuro, não podemos permitir que se esgote o tempo para negociações simplesmente por falta de atenção. O fracasso seria imperdoável.

Alguns argumentam que, em meio a exigentes condições econômicas, nossa determinação em alcançar compromissos ambientais deveria ser enfraquecida, que os custos são demasiado altos. De fato, o oposto é verdadeiro; um acordo robusto em Copenhague é essencial para recuperação econômica global. Já que esta recuperação depende dos investimentos que um acordo desencadeará. As economias que abraçarem antes a revolução ambiental colherão as maiores recompensas.

Inicialmente, o consumo mais eficiente de energia trará maior produtividade global, já que recursos antes dirigidos a combustíveis serão liberados para investimentos. Enquanto isso, a necessidade de geração de energia e infraestrutura de baixo carbono, em países desenvolvidos e em economias emergentes em rápida ascensão, demandará o investimento 33 trilhões de dólares até 2030, de acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia. Até 2015, o setor ambiental global poderá valer 7 trilhões de dólares e sustentar dezenas de milhões de empregos.

Mas talvez o elemento mais importante deste futuro de baixo carbono seja a onda de inovações que acompanhará a busca por descarbonização. Algumas das tecnologias requeridas estão razoavelmente maduras, como usinas eólicas e isolamento térmico de residências - apesar de que, ainda aí, melhorias significativas ainda deverão ser feitas. Mas, muitas outras deverão experimentar melhoras dramáticas e rompimento de barreiras, em performance e custo.

Isto já está começando a acontecer em áreas como design de baterias em larga escala, estimulada pela aceleração das pesquisas sobre veículos movidos à eletricidade promovidas pela indústria automotiva. Está acontecendo em tecnologias de construção sustentável, em novos materiais leves, em energia solar, em captação e armazenamento de carbono e em diversas tecnologias improdutivas de manufatura. Como inovações em uma área alimentam outras, o potencial econômico e os benefícios reverberarão por toda economia global.

Portanto, assim como a revolução em tecnologias de informação serviu como grande motor do crescimento nos últimos 30 anos, a transformação para tecnologias de baixo carbono o fará durante os próximos. Mas isso só pode ser sustentado com apoio dos governos – não apenas em escala nacional, mas globalmente. Os governos precisam agir de forma a criar incentivos econômicos suficientes e garantir segurança e confiança ao investidor. Isto quer dizer enviar sinais claros e de longo prazo sobre o direcionamento da política e tipo de demandas futuras, e métodos implementação baseados no mercado para habilitar o setor privado a responder de forma inovadora. Esta deve ser uma genuína parceria entre os setores público e privado.

É por isso que um acordo global sobre um novo regime de mudanças climáticas em Copenhague, em Dezembro, é tão importante. Um acordo robusto que estabeleça compromissos legalmente vinculantes com a redução de emissões fornecerá a confiança e segurança necessárias para apoiar o investimento em baixo carbono. As conversações na ONU são, portanto, não apenas para salvaguardar o meio ambiente, mas também para estimular a demanda econômica e investimentos.

O Governo do Reino Unido estabeleceu propostas para um acordo ambicioso, efetivo e justo. Ambicioso no que tange como necessidade de colocar o mundo em um caminho que limite o aumento médio da temperatura a 2 graus Celsius; efetivo ao estabelecer mecanismos de mercado para reduzir emissões de maneira eficiente, acompanhado por um regime robusto de monitoramento e verificação; e justo ao prover auxílio a países em desenvolvimento no combate às mudanças climáticas. Em Junho passado, sugeri trabalharmos com a cifra de U$100 bilhões anuais de fundos públicos e privados até 2020.

Eu tenho sido gratificado com a resposta dos setores público e privado de diversos países. Mas precisamos seguir agora em direção a assegurar um acordo em Copenhague. Eu acredito que podemos conseguir. E, se for necessário para fechar um acordo, eu irei pessoalmente a Copenhague para alcançarmos isso – e insistirei que outros líderes nacionais façam o mesmo.

 
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